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10/05/2012

«Falta de encriptação de dados em pens USB é uma falha crítica»

Há muito que as pens USB fazem parte das nossas vidas tecnológicas, quer seja para guardar ficheiros de trabalho ou de lazer, como fotos ou vídeo. Contudo, como explica Gonçalo Reis, Business Development Manager da Kingston Technology, há várias ameaças à espreita de quem não protege os seus dados com segurança.

Tal como um computador pode ser infectado com vírus a partir da Web, as pens USB também podem ser veículos de transmissão de trojans, malware e rootkits, se se ligarem a esses mesmos computadores. O problema é que a maior parte das pessoas e das empresas não tem políticas de prevenção para esta realidade. O outra questão tem que ver com a perda de USB com ficheiros que não estão encriptados.

Segundo Gonçalo Reis, esta é igualmente uma preocupação para Kingston que tem vindo a promover sistemas de codificação para as suas pens. Com isto, mesmo que alguém ligue uma pen perdida a um computador, nunca vai conseguir aceder aos ficheiros.

Data Traveller 6000

A Data Traveller 6000 é, actualmente, a pen Kingston com o nível mais alto de segurança.

Muitos utilizadores comuns pensa que as grandes ameaças e vírus são transmitidas via Web. Quando é que as pens começaram também a ser um perigo?
Gonçalo Reis (GR): Desde o momento em que foram usadas num computador com vírus. Não podemos ficar presos a uma data, devemos, sim, estar alerta para a situação e procurar promover as melhores acções de prevenção e protecção dos dados dos utilizadores. Todo e qualquer dispositivo ou suporte digital pode ser fantástico para o arquivo e transporte de dados, como também pode ser uma ameaça iminente conforme o uso dado.

Na Kingston procuramos ter o melhor dos dois mundos, ou seja, ter a melhor oferta de dispositivos de armazenamento e transporte de dados, os quais não se cingem somente a pens USB, com a melhor qualidade e promovendo junto dos utilizadores dos nossos produtos a adopção de atitudes responsáveis de utilização destes dispositivos.

Como é que a Kingston aborda esta realidade?
GR: É uma realidade que tem de ser vista com naturalidade e que deveremos ter em conta, não só pela diversidade de potenciais riscos e ameaças que são externas aos produtos por nós desenvolvidos. Ao garantirmos que a corrupção ou perda de dados não acontece directamente devido aos nossos produtos já estamos a contribuir para que o utilizador comum se sinta mais protegido, porém mostramos que as más práticas de utilização de uma pen pode comprometer toda a informação.

Que produtos destaca do vosso portfólio como os que oferecem maior segurança?
GR:
Claro está que os produtos que oferecem mais segurança são aqueles que têm soluções de encriptação, que permitem desde logo assegurar que somente os donos dos dispositivos é que acedem à informação nas suas pens. Temos uma linha empresarial de dispositivos USB que permite às empresas e aos utilizadores não só terem soluções de encriptação avançada como também criar regras de utilização e monitorizar a utilização dos dispositivos.

Gonçalo Reis Kingston

«É habitual ouvir-se as pessoas perguntarem se aquela pen tem vírus ou não. Agora na realidade a prática diária nem sempre corresponde à preocupação demonstrada»

Em concreto, quais são tipo de vírus que se transmitem pelas pens USB? Trojans, rootkits?
GR:
Todo o tipo de vírus, pois uma pen USB é mais um dispositivo que tem um espaço de armazenamento tal qual os discos rígidos ou os SSD dos computadores. Por isso não existe uma distinção possível de vírus que possa ou não ser transmitido através de uma pen.

Em Portugal que expressão tem este perigo?
GR:
O perigo em Portugal segue a mesma linha do resto da Europa, onde mais de metade das empresas não têm políticas activas de prevenção e monitorização de utilização de dispositivos de armazenamento móvel, o que coloca em risco todo o tipo de dados, quer sejam empresariais ou pessoais.

Os utilizadores nacionais estão conscientes para esta ameaça?
GR:
Começam a estar. Sabem que não se pode usar qualquer usb em qualquer computador. É habitual ouvir-se as pessoas perguntarem se aquela pen tem vírus ou não. Agora na realidade a prática diária nem sempre corresponde à preocupação demonstrada.

Têm uma parceria com a BlockMaster para aumentar a segurança da DT4000-M. Este é um modelo para replicar em futuros produtos?
GR:
Sim é verdade. A parceria com a BlockMaster, bem como com outras empresas líderes de software de segurança é algo que trabalhamos diariamente para poder trazer aos nossos clientes as melhores soluções de hardware já equipadas ou com pré-instalação das melhores soluções de segurança para os seus dados.

Data Traveler 5000

Este é um modelo que já não é novo na Kingston. Temos vindo ao longo dos anos a estabelecer parcerias com os melhores produtores de software para disponibilizar aos nossos clientes a melhor oferta de soluções que permitam e garantam a integridade e segurança dos seus dados.

É fácil perceber que este é um problema mais grave a nível empresarial. E a nível do consumidor comum, qual é a posição da Kingston?
GR:
A Kingston tem uma panóplia muito grande de produtos usb para todas as necessidades e perfis de utilização. A nossa preocupação é trazer para todos os nossos produtos uma linha de soluções de software de terceiros que permita garantir a integridade dos dados, porém tudo tem a ver com a necessidade e interesse do utilizador.

Qual é o maior problema: os vírus que se podem transmitir entre pens e computadores ou a falta de encriptação de dados numa pen que se pode perder?
GR:
Sinceramente, é mais crítica a falta de encriptação de dados, pois são muitas e onerosas as perdas de dados em todo o mundo, e Portugal não é excepção. Nos estudos que efectuamos com o Ponemon Institute e mesmo em Portugal este foi um dos pontos que mais se destacou, que é a facilidade na perda de um dispositivo USB carregado de dados pessoais e empresariais, muitas das vezes sigilosos.

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Sobre o Autor

Ricardo Durand
Começou no jornalismo de tecnologias em 2005 e tem interesse especial por gadgets com ecrã táctil. No iTech é o responsável pelas Sextas iPad e pela edição geral do site.