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08/06/2012

Migração para IPv6: uma mudança necessária

Na semana em que é lançado a nível mundial o protocolo IPv6, não podemos deixar de nos debruçar sobre este importante assunto para o futuro da Internet.

Apesar do esforço da indústria em minimizar o impacto da transição para o IPv6, a magnitude da mudança é significativa. Como tal, é necessário começar já a tratar disso, enquanto as empresas ainda dispõem de tempo para planificar as acções adequadas e antes que o esgotamento de endereços IPv4 possa tornar-se num beco sem saída que obrigue a uma transição imediata e traumática.

O tempo e a planificação são essenciais para uma correcta migração para o IPv6, pelo que ignorar a mudança e esperar simplesmente que as medidas actuais nos ajudarão a alargar a vida do actual protocolo IPv4 é como insistir em levar um motor de 600 cc aos 200 quilómetros por hora e torcer para que não se desmantele no processo. Temos que ser realistas: a única forma de a rede proporcionar determinados serviços é trocá-la por outra.

Ipv6. Um novo mundo de possibilidades
Este é o momento de renumerar a Internet e todas as redes, antes que seja impossível ligar um dispositivo mais que seja. O IPv4 desenvolveu ao longo do tempo métodos que lhe permitiram escalar acima das suas próprias capacidades. Mas a quantidade não é tudo:

• O IPv4 não admite mais endereços IP novos, pelo que qualquer dispositivo novo é obrigado a reutilizar um existente. Não existe uma relação de endereços IPv4 não usados, o que torna esta missão muito complexa senão mesmo impossível. Outra opção é usar endereços privados com complexas traduções que afectam o rendimento da rede e das aplicações.

• O IPv4 não conta com mecanismos de segurança que permitam encriptar o seu tráfego. O IPSec, aliás, é um acrescento ao IPv4 portado a partir do IPv6.

• Os métodos de QoS do IPv4 são pobres e penalizam a implementação eficaz de multimédia em redes IP. O surpreendente é que tenha sido possível fazê-lo até agora com este nível de QoS tão insuficiente.

• As aplicações novas e futuras requerem uma Internet com capacidades Multicast e Anycast que o IPv4 não permite.

Os dois factores chave para uma correcta migração para IPv6 são o tempo e o planeamento. Ignorar a mudança na esperança de que as medidas actuais alarguem a vida do actual protocolo IPv4 é uma estratégia destinada ao fracasso. A única forma de a rede actual proporcionar certos serviços é trocá-la por outra, ou seja, migrar para IPv6.

A migração para IPv6 pode colocar em perigo a disponibilidade dos serviços críticos de TI e afectar a operacionalidade e disponibilidade das aplicações críticas de qualquer organização. Aplicações personalizadas, nas quais temos confiado durante muito tempo porque “simplesmente funcionavam” podem deixar de funcionar em IPv6. As mudanças que implica a migração para IPv6 afectam todas as organizações. Nenhum departamento escapa aos seus efeitos e todos devem envolver-se no seu planeamento.

Por isso é tão importante o planeamento e fazer a migração com tempo. Há que analisar TODOS os sistemas de TI e ver os que funcionam em IPv6 e os que não. Os sistemas herdados são especialmente sensíveis e os que mais atenções devem obter durante esta migração.

Felizmente, e sem o saber, há anos que as empresas têm vindo a comprar software compatível com IPv6. A maioria dos switches, routers e sistemas operativos nas empresas já suportam IPv6. Por exemplo, no nosso mercado, não deverá ser problema para nenhuma organização encontrar no seu fornecedor de confiança o equipamento adequado para esta transição.

O processo de migração não é tão complicado assim, se for bem feito: requer tempo e planeamento para poder ser executado sem problemas. Se esperarmos até ao último momento, os erros vão acumular-se, seremos obrigados a deixar para trás aplicações críticas que não permitem a migração de forma fácil e teremos que encontrar soluções de um dia para o outro.

Os fabricantes de redes e sistemas operativos conceberam o seu software para que funcione com ambos os protocolos, permitindo um modelo de migração mais adequado, o chamado de dual stack: a capacidade de toda a rede e todos os dispositivos da rede poderem funcionar simultaneamente em IPv6 e IPv4, escolhendo o mecanismo que melhor se adapte a cada comunicação.

Desta forma, todos os equipamentos migráveis para IPv6 podem manter a sua conectividade actual IPv4 enquanto existam dispositivos IPv4 na rede que não possam ser migrados. Assim, todos os dispositivos IPv4 que o permitam activam as suas funções IPv6, assim como a rede que os conecta.

Os serviços como DNS e DHCP devem ser activados em IPv6 nesse momento. Os servidores ou hosts não migráveis são, por seu turno, mantidos em IPv4. Nesta fase, todas as aplicações “falam” com todas, porque dispõem de IPv4 como mecanismo de último recurso, embora o IPv6 seja o preferido.

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Sobre o Autor

Aitek
O Aitek é o robô que temos na redacção com 50 anos de experiência em tecnologia. Nos tempos mortos serve alguns cafés. Às vezes há quem peça uma sandes de queijo e ele também a traz, sem problemas.