Na próxima segunda-feira chega às lojas americanas uma das mais esperadas biografias oficias dos últimos anos. Walter Isaacson, antigo CEO da CNN e editor da revista Time, fez cerca de 40 entrevistas ao patrão da Apple onde este lhe disse que iria «lutar contra o Android até ao seu último fôlego».
O livro só chega em Novembro às lojas portuguesas pela mão da Editora Objectiva, mas nos EUA já existem meios de comunicação social que tiveram acesso ao livro e que estão a revelar as passagens mais importantes da única biografia autorizada de Steve Jobs que prometem ser bastante polémicas.
Uma delas refere que Jobs via em Jonathan Ive (o actual director de design da Apple, em baixo na foto) o seu “parceiro espiritual” e que este responsável tinha, no seu tempo, «mais poder operacional» que o próprio CEO. Segundo se pode ler na biografia, Ive não recebe ordens de ninguém na Apple e faz o que quer. Jobs confessa, de forma surpreendente, que foi ele mesmo que quis que as coisas assim fossem.
Mas a grande “bomba” serão as duras palavras contra o sistema operativo Android da Google. Depois de ter assistido ao lançamento de um smartphone HTC com uma versão do Android que copiava grande parte das funções do iPhone, Jobs terá dito ao seu staff que a Apple deveria iniciar uma «guerra termonuclear» contra a Google.
«Vou lutar até ao meu último fôlego se for preciso e gastar cada cêntimo dos 40 mil milhões da Apple em tribunal para processar a Google. Vou destruir o Android, porque é um produto roubado e estou disposto a fazer uma guerra termonuclear por isto», pode ler-se no livro escrito por Isaacson.
Contudo, numa reunião que teve com o CEO da Google, Eric Schimdt, (que já tinha trabalhado na Apple de 2006 a 2009), Jobs disse-lhe que não tencionava levar a empresa tribunal: «Não quero o vosso dinheiro. Se me derem 5 mil milhões de dólares, não aceito. Tenho muito dinheiro. A única coisa que me interessa é que deixem de usar as ideias da Apple no Android». Contudo, segundo escreveu Isaacson, a reunião não teve quaisquer resultados.
O livro aborda também a doença de Steve Jobs e a forma como este lidou com o cancro. Quando recebeu a notícia dos médicos, estes disseram-lhe que Jobs tinha sorte pois ainda estava numa fase inicial e que poderia ser salvo com uma operação. Contudo, o CEO da Apple recusou: «Não queria que me abrissem o corpo e que andassem a mexer lá dentro».
Steve Jobs acreditava que havia outras formas de lutar contra o cancro, concretamente, com uma alimentação vegetariana e recurso a medicinas alternativas ditadas pelo budismo, a sua religião. A recusa em ser operado seria, mais tarde, uma decisão de que Jobs se viria a arrepender, conta-se na sua biografia.
Os médicos também entrevistados por Isaacson para a biografia de Jobs viriam a confessar-lhe que o atraso no tratamento do tumor foi fatal para Steve Jobs, que viria a falecer no dia 5 de Outubro aos 56 anos, seis semanas depois de ter deixado o cargo de CEO por sua iniciativa.
Quotes de Steve Jobs na sua biografia oficial
«As pessoas que dirigiam a Apple em 1985 eram pessoas corruptas com valores corruptos que só se interessavam em ganhar dinheiro em vez de criar grandes produtos»
«A HP é uma grande empresa e os seus fundadores pensavam que a tinha deixado em boas mãos. Só que quem está no poder destruiu a empresa e desmembrou-a. Espero deixar um legado mais forte para que isto nunca aconteça na Apple». (Jobs confessou isto a Isaacson depois de a HP ter anunciado a descontinuação do tablet Slate)
«A ideia do nome Apple teve a ver com a minha dieta de frutas e vegetais. Tinha acabado de visitar uma quinta cheia de macieiras e achei que o nome era divertido, cheio de espírito e nada intimidante».
«A ideia do design do Apple II foi tirada dos robots de cozinha da Cuisinart. Fiquei fixado nas suas formas quando entrei numa loja para comprar electrodomésticos. Eu queria uma caixa feita em plástico para o próximo computador da Apple.»
«Os Beatles são das minhas bandas preferidas e quero ter as músicas deles na iTunes Store antes de morrer». (A discografia da banda inglesa chegaria à loja de música da Apple no final de 2010)
A Fechar
O livro vai ser vendido nos EUA pela editora Simon & Schuster e vai custar 35 dólares (cerca de 25 euros). O autor, Walter Isaacson, dá uma entrevista amanhã à noite (Domingo) ao programa 60 Minutos da CBS, transmitido em Portugal, com atraso, pela SIC Notícias.











