Uncharted já é considerado um franchise de grande sucesso, embora seja relativamente recente, sendo um dos grandes exclusivos que viu a luz do dia graças à PS3. Agora vê agora o seu primeiro título lançado noutra plataforma, a PS Vita.
Desenvolvido pela Sony Bend, muitos fãs receavam pela qualidade final do jogo, tendo sido toda a franchise obra da Naughty Dog. Mas cedo se começaram a dissipar essas dúvidas pois, não só foi garantido uma supervisão por parte da Naughty Dog, como as primeiras amostras que saíram para o público foram convincentes – e a verdade é que temos um produto final que transpira a mística desta franchise e que ainda conta com alguns twists que, para bem ou para o mal, tentam aproveitar da melhor maneira as especificidades da PS Vita.
Em Golden Abyss acompanhamos Drake numa aventura pela América Central, cuja sequência de eventos decorre antes dos que experienciámos em Drake’s Fortune, embora não seja uma prequela visto não existir qualquer tipo de ligação a nível de história entre ambos – embora tenhamos contacto com uma das personagens emblemáticas de Uncharted, pois afinal um título desta franchise sem a presença do carismático Sully não seria a mesma coisa.
A história começa com um pedido de ajuda de Dante, um caçador de tesouros que apenas dá valor ao dinheiro, a Drake, de forma a resolver um mistério à volta de um achado arqueológico. Assim que chegamos ao primeiro local envolvido nesta descoberta somos apresentados a uma esbelta arqueóloga, Chase, que embora seja parceira de Dante neste achado, não tem confiança nenhuma nele, e desde logo tenta aliciar o Drake a uma nova parceria, alertando que o Dante não pretende distribuir os eventuais ganhos com nenhum um dos dois.
Neste cenário surge “El Generale” Guerro, um general retirado do poder e que controla a zona onde foi feita a descoberta arqueológica, tendo um interesse especial nela pois almeja usar os lucros para financiar uma revolta e voltar ao seu lugar no poder.
Reunidos os ingredientes para mais uma aventura seja de conflitos e intriga, rapidamente nos vemos envolvidos em autênticas guerrilhas pela selva adentro, à medida que a história nos vai sendo sempre apresentada com um estilo muito cinematográfico característico do Uncharted. As personagens transmitem-nos uma variedade de emoções, concedendo-nos tanto momentos de humor puro como de perda e sofrimento.
Todavia, pecam um pouco por serem demasiado baseadas em clichés, o que torna o seu comportamento e interacções previsíveis. Por outro lado, continuamos a ter um grande trabalho a nível das suas vozes, sendo que os actores por detrás das personagens já conhecidas mantêm-se os mesmos, e foram feitas grandes escolhas para as novas. Destaque especial para a versão portuguesa do jogo, que não fica atrás da versão inglesa, embora possa parecer inicialmente estranha a quem esteja familiarizado com as anteriores versões em inglês.
Em termos gráficos e sonoros o jogo não fica muito atrás dos seus predecessores na Playstation 3, embora se notem algumas perdas de FPS nos segmentos de acção mais alucinados. Nestes aspectos a única coisa a apontar e que poderá desapontar alguns fãs é o facto de existir alguma falta de variedade de cenários, sendo maioritariamente ruínas e selva, mas sem dúvida muito bem trabalhadas.
Em termos de controlos devo começar por referir que os dois analógicos da Vita conseguiram capturar na perfeição a experiência de jogo a que estamos habituados na PS3. Mas foram também introduzidos bastantes elementos novos ao jogo, alguns apenas possíveis graças aos ecrãs de toque frontal e traseiro, e camâras da Vita, mas outros revisitando tecnologias já conhecidas como o Sixaxis.
Começando pelo Sixaxis, este é usado no jogo para coisas banais e pouco interessantes, como equilibrar-nos ao usar troncos como ponto, mas também tem aspectos úteis, como o controlo da câmara de jogo, e outros muito interessantes, como o controlo do Drake ao descer rápido, em algo similar a um rafting humano. O reconhecimento de toque traseiro é usado para controlar a nossa interacção com cordas e artefactos, permitindo-os rodar para desvendar novas particularidades destes.
A câmara é usada como sensor de luz, permitindo a descoberta de mensagens ocultas em pergaminhos, contribuindo à sua maneira para uma maior experiência de jogo e de “arqueologia”. Por fim, o ecrã de toque frontal é aquele que é mais preponderante no jogo e permite controlar a catana, desenhar uma espécie de itinerário entre pontos de apoio que o Drake irá seguir escrupulosamente para escalar os abismos à sua frente, ganhar novamente um ponto de apoio após este ter cedido e o Drake perdido o equilíbrio, limpar os artefactos encontrados, resolver os puzzles (tanto os mais tradicionais à volta de “peças” como outros como fechaduras) e, por fim, usado parcialmente nas lutas corpo-a-corpo.
Todas as novas interacções vieram com certeza trazer alguma frescura ao jogo, que sempre pecou por ter um caminho estático pré-definido (e do qual apenas temos pequenos desvios para descoberta de tesouros e artefactos secundários), mas nem todas são uma real mais valia ao jogo. De facto, grande parte das interacções para as quais podemos usar os controlos normais, como o subir cordas e escaladas, estes novos meios de interacção são menos intuitivos e por vezes apresentam algumas falhas (em especial quando envolvem o painel traseiro).
Mas o pior mesmo é o reconhecimento de gestos para o combate e para a catana, que, embora preciso, não tem o impacto esperado, pois os gestos desenhados no ecrã nem sempre correspondem aos movimentos executados pelo Drake e outros nem sequer alteram a cutscene caso sejam mal executados… o que é muito mau devido ao seu protagonismo nas batalhas finais, tornando-as algo anti-climáticas.
Embora com algumas lacunas, Uncharted: Golden Abyss tenta ser inovador e é claramente um título imprescindível para todos os fãs e donos de uma PS Vita, sendo que a sua única falha grave é o de não ter a vertente multiplayer. Os fãs de Trophies irão ter aqui uma pérola para explorar e partilhar as suas descobertas.
Análise de Jorge Fernandes
Plataforma: PS Vita
Editora: Naughty Dog
Preço: 49,99 euros













